
Este calor que me desassossega
E põe-me a escrever à minha gente.
Peço licença pra não plagiar:
“Olha seu moço a boiada
Em busca do ribeirão...”
Olha, seu moço, cadê a boiada?
Onde era mesmo o ribeirão?
Somente a poeira cinza que arde os meus olhos
E “fico zangado sim”.
É o bagaço em meio a poeira vermelha
A poeira do nosso de-sertão,(sertão)
Será tão deserta, real desertão...
“Olha seu moço a boiada
Em busca do ribeirão...”
Olha, seu moço, não me diz nada.
Não me fale do cerrado serrado,
Nem da mata que o “doce” mata...
Este calor me sufoca, seu moço,
E esta cinza me traga.
“Olha seu moço a boiada
Em busca do ribeirão...”
Era a boiada de bois,
Era o Ribeirão dos Bois.
Cadê os bois da boiada!?
Cadê a água do ribeirão!?
Os bois moviam o engenho;
Agora o engenho consome os bois!!
“Olha seu moço a boiada
Em busca do ribeirão...”
Olhe seu moço, o poço da vida estancada
E ao regaço o bagaço corrói.
E a vida não corre no leito,
E no peito, destila, destrói.
E na gota do doce que embriaga
Vejo a praga no corte que dói.
Olha seu moço a garapa
Que escorre no ribeirão...
Corre viscoso o vinho-aço
E vejo a poeira no laço,
Mas água não vejo não, pois,
“Olha seu moço a boiada
Em busca do ribeirão...”
E era uma boiada de ouro;
E era um Ribeirão dos Bois.
Petterson Cunha
24-09-2004
Nenhum comentário:
Postar um comentário