Meu lugar é o ponto onde me acho
Encontro-me em mim mesmo
Aí vivo. Aí habito.
E o meu viver é no espaço do tempo eterno.
Tiro de mim a imensidão do universo,
E fecho em mim a plenitude infinita.
Sou o avesso do concreto
E a melancolia do romântico.
Estou no encontro dos lábios
Na doçura do mais amargo absinto
E na impureza do ouro mais puro.
Tenho alegria na mais fúnebre tristeza
E sou triste no riso mais sincero.
Choro ao ver o choro.
Sinto-me viver de graça.
Não me encontro em desvantagem alguma.
Ouço passos na calçada informe
E os melros estão nos galhos... Ainda!
Pães, moscas e homens. Melros voam.
A minha mente é nuvem chuvosa!
Que rega o semeado, também faz lama.
Os pensamentos que se deslocam, se cruzam:
Em que época chorarás outra vez?
Em que ano sorrirás novamente?
Venha, vamos juntos e juntos lembraremos.
A beleza da flor não nos faz lembrar o parto da semente!
Podre, explosão, germinação, vida, flor...
A breve sensação do viver.
Flua-me o momento este e agora,
Porque o sou e não o depois e não o antes!
Meu lugar é o ponto onde me acho.
Ainda que pouco, ainda que muito;
Ainda que nada, ainda que tudo.
Sou viajante da eternidade e sigo a luz.
Que importa as horas ou se a morte me beija?
Corte-me a carne, a vida e verei
Sonda-me, ronda-me e me espreita e veja
Ó morte, o Deus ao qual voltarei!
08-05-2004
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